Sta Rita de Cássia
Por volta de 1381 nasceu numa pequena cidade perto de Cássia, na Itália, uma menina chamada Margherita (em português, Margarida).
Antonio Lotti e Amata Ferri de Foligno eram seus pais e logo passaram a chamar a filha de Rita, já que Margherita era um nome muito comprido.
Rita não tinha irmãos nem irmãs. Rita era como um anjo: dócil, respeitosa, obediente e gostava muito de ir ao monte Scoglio rezar.
Os ensinamentos que seus pais lhe davam fizeram com que ela decidisse consagrar sua vida a Jesus e tornar-se um dia Sua esposa.
Seus pais, porém, com o amor que lhe tinham e já idosos, não queriam deixá-la só e resolveram, então, providenciar um casamento para a filha.
Rita, apesar de sentir em seu coração o desejo de consagrar sua vida a Deus, obedecia sempre aos seus pais, certa de que amar e obedecer eram duas palavrinhas que caminhavam sempre juntas.
Por obediência, Rita aceitou casar-se com Paulo Fernando Mancini, o que aconteceu por volta do ano 1395.
Seus pais, que já eram bastante idosos faleceram pouco tempo depois do casamento da filha.
Rita foi uma ótima esposa, paciente e compreensiva. O costume de rezar a ajudava muito nos momentos de dificuldade, já que seu esposo, como soldado que era, era um homem rude, violento e briguento.
A mansidão, a docilidade e prudência de Rita conseguiram, pouco a pouco, transformar o coração de seu esposo que se tornou um marido respeitoso.
Rita sentia-se muito feliz por ver o seu marido convertido ao bom caminho e não se cansava de dar graças a Deus por tamanho benefício.
Rita e Paulo tiveram dois filhos gêmeos: João e Paulo.
Rita, porém, por volta de 1413, ficou viúva. Seu esposo foi assassinado com uma punhalada no peito por inimigos que havia feito no tempo em que agia com violência. A grande dor que Rita sentiu, ofereceu a Deus em sacrifício.
Naquela época era muito comum encontrar o assassino de alguém e vingar-se dele. Rita, porém, não queria vingança. E, atenta como era aos filhos, percebia que os dois jovens apresentavam desejo de vingança e que não a escutavam mais com a mesma docilidade. Rita tentava substituir esses sentimentos no coração dos filhos por sentimento de perdão e compaixão e rezava cada dia mais pedindo a ajuda de Deus para os filhos aprenderem a perdoar.
Um dia, já muito angustiada, Rita oferece os filhos a Deus pedindo-Lhe que os levasse antes que estes se tornassem criminosos, vingando-se da morte do pai, mesmo que isto a trouxesse uma enorme dor.
Os meninos caíram doentes e Rita os tratou com o máximo cuidado, cuidando para que nada lhes faltasse. Os dois meninos faleceram cerca de um ano depois da morte do pai.
Rita, viúva e sem os filhos, dedicou sua vida a oração e a caridade.
Suplicou por mais de uma vez sua entrada no convento das madres agostinianas, mas foi rejeitada.
O Senhor Deus conhecendo o coração de Rita teve compaixão dela e, uma noite, quando estava em oração, Rita ouviu chamar: “Rita! Rita!”. Ela não viu ninguém e, pensando ter se enganado, voltou às suas orações. Mas, pouco depois, ouviu novamente: “Rita! Rita!”. Desta vez, teve a certeza de que não se enganara. Levantando-se, abriu a porta e foi à rua. Eram 3 homens e Rita não tardou a reconhecê-los: eram seus protetores São João Batista, Santo Agostinho e São Nicolau de Tolentino, que a convidaram para segui-los.
Em êxtase, como num sonho, ela os seguiu e em pouco tempo estava em Cássia, diante do convento de Santa Maria Madalena. As religiosas dormiam e a porta estava bem trancada. A mesma porta que por três vezes se fechara diante dela, a porta que lhe era a entrada do paraíso terrestre. Era impossível abrir essa porta por meios humanos, mas os santos que Deus enviara para acompanhá-la fizeram com que Rita se encontrasse no interior do mosteiro.
Quando as religiosas desceram para se reunir no coro, ficaram estupefatas ao encontrar a santa mulher que tinha sido insistentemente rejeitada. Como entrara ela, se o mosteiro estava completamente fechado e não havia sinal algum de abertura ou arrombamento? As freiras se impressionaram com o relato que Rita fez do acontecido e, diante de um milagre tão estupendo, reconheceram os desígnios de Deus e admitiram jubilosas em sua companhia aquela criatura que era mais angelical que humana.
Durante sua vida Rita dedicou todo o seu tempo a Deus e aos que necessitavam. Atendia a doentes e sofredores, transmitindo a força que ajudava a todos.
Um dia, Rita parou diante de um crucifixo e permaneceu em oração por longo tempo. Já pela manhã, sentiu algo lhe tocar a fronte: Jesus presenteou-a com um espinho de sua coroa. A partir desse dia, pessoas vindas de toda parte, iam visitá-la no convento. Rita limitava-se apenas a dizer poucas palavras convidando ao amor e a caridade.
Com mais de 70 anos de idade e 40 de vida religiosa, faleceu Santa Rita em Cássia no velho Convento das Agostinianas no dia 22 de maio de 1457













