S.Sebastião
MEU SANTO MAIS QUERIDO
São Sebastião, meu santo, desde criança até hoje, é o santo por mim mais sentido, querido e venerado.
Lembro-me, como se fosse hoje, que a minha mãe me contava com toda classe de detalhes quem era meu santo. Foi ela quem me contou como meu pai escolhia o nome para seus filhos e que priorizava o santo do dia. Ele folheava o almanaque ou a folhinha do Sagrado Coração que sempre trazia todos os santos que se celebravam no dia. Nasci no dia 19 de Janeiro de 1949, um dia frio do inverno da Ribera del Duero, região da minha pequena cidade de Baños de Valadearados da Província de Burgos na região de Castilla–Espanha, terra de pão, bom vinho e melhor cordeiro. Na folhinha apareciam dois santos desse dia: São Mário e São Canuto. Meu pai não gostou desses nomes, ambos lhe pareciam desconhecidos e estranhos. Rápido pensou: amanhã é San Sebastián mártir, padroeiro de Caleruega e Hontaria de Valdearados, duas cidades vizinhas, a primeira foi o berço do grande Santo Domingo de Guzmão propagador do Rosário e fundador dos freis dominicanos.
Na minha cidade não havia ninguém que se chamasse Sebastian, havia duas mulheres que chamavam-se Sebastiana. Por uma parte assim seria mais rapidamente identificado, por outra era um nome pouco comum, era a época em que começavam a abundar nomes mais como Antônio, Manuel, José, José Maria, Jesús Maria, etc
De todas as maneiras sempre gostei de meu nome e gostava também de celebrar o dia 19 de Janeiro, meu aniversário, e o dia 20, meu santo. É bastante comum na minha terra celebrar o dia do Santo. Para mim eram como dois dias de festa seguidos.
Com 11 anos fui para o seminário dos agostinianos recoletos de San Sebastian situada ao norte da Península Ibérica. Conhecia muito os agostinianos recoletos pela Revista de Santa Rita de Cássia e porque na minha cidade havia 9 freis agostinianos recoletos, dos quais sete estavam como missionários aqui no Brasil. Chegar, conhecer e viver na bela cidade de San Sebastián era um privilégio. Cidade banhada pelo bravo mar Cantábrico, a famosa praia e baía de “La Concha”, cobiçada e curtida pelos turistas europeus, a arquitetura que a circunda, a limpeza da cidade, a beleza da ilha de santa Clara, o monte Igueldo com suas divertidas atrações e o monte Urgul com a estátua do Sagrado Coração, o pequeno porto pesqueiro com abundantes bares e restaurantes de frutos do mar e o Aquarium. Para mim morar, estudar, passear pela bela cidade era algo extraordinário, marcou a minha vida para sempre. E que São Sebastian fosse o padroeiro da cidade conhecida também como Donosti, para mim era o máximo. Nessa cidade fui crismado no ano de 1964 sendo seminarista e fui ordenado sacerdote aos 25 de Janeiro de 1973.
E lá pelo ano 1993 cheguei a São Sebastião de Rio de Janeiro. Eu vim como missionário, porem passei aqui um mês, antes de viajar para Marajó. E aqui verifiquei a semelhança das duas cidades. Certamente muito parecidas, também era verdade que em Rio de Janeiro tudo era em maior escala.
Após um mês viajei para Marajó. Tudo era diferente. Nova paisagem, agora contemplava outro “mar”, o de água doce e imensas praias, todas elas circundadas por matas próprias da região do Amazonas. A primeira paróquia para a qual fui destinado era dedicada a Nossa Senhora da Conceição, que era a Padroeira e a maior Festa do município de Afuá, a Veneza Marajoara, por ser uma cidade toda ela alagada, casas e ruas construídas sobre palafitas. Grande devoção por Nossa Senhora, extraordinária festa onde a procissão, chamada de Círio de Nossa Senhora da Conceição, era uma procissão fluvial, terrestre e aérea. Rápido pude verificar que a capela maior depois da Matriz era a capela de São Sebastião. “Antigamente, padre, a Festa de São Sebastião era mais festejada que a da Conceição”, me contavam os afuaenses. Alem de Afuá nós os freis atendíamos também a cidade de Chaves, cidade pouco desenvolvida, porém muito antiga. Contava-se que foi sede da primeira evangelização da região pelos padres capuchinhos na época da colonização. O Padroeiro era Santo Antônio, porém São Sebastião era também muito festejado, principalmente na Vila de Arapíxi. Os municípios de Afuá e Chaves eram muito extensos formados por grandes ilhas, todas elas fazem parte do arquipélago de Marajó. Com o nome de São Sebastião eram muitas as igrejas e capelas. Se os padres tivéssemos que estar presentes em todas as vilas e capelas de São Sebastião não haveria padres suficientes em toda a redondeza da Prelazia de Marajó.
Grandes cidades e pequenas vilas, catedrais e capelas levam o nome de São Sebastião. O santo que foi soldado predileto da guarda imperial de Diocleciano que, mais tarde, seria martirizado por preferir participar da comunidade cristã e zelar pelos seguidores de Cristo. São Sebastião exemplo de soldado valente de Cristo, mártir da fé, Testemunha fiel de todos nós, padroeiro de grandes cidades e pequenas vilas. Forte intercessor contra a peste. A sua devoção está estendida especialmente por toda Europa e América e os outros continentes.
A Cidade de Rio de Janeiro nasceu sob a sua proteção e leva seu nome. Também nossa Arquidiocese leva seu nome e o tem como seu Padroeiro. Dom Orani, nosso querido arcebispo, quer que este ano coloquemos na nossa oração a próxima Jornada Mundial da Juventude –JMJ- a celebrar-se na cidade de Rio de Janeiro no ano de 2013. Glorioso São Sebastião, meu santo, santo padroeiro e protetor de milhares de povoados, vilas e cidades, capelas e catedrais, das mais diversas instituições, ROGAI POR NÓS.
Quero acrescentar a mensagem final de Nosso Arcebispo Dom Orani no Jornal Testemunha da Fé:
“Jovem, eu vos convido: abri o vosso coração para Cristo! É justamente a alegria de São Sebastião que, não tendo medo a confessar a sua fé em Cristo Ressuscitado, anima a nossa juventude do Río de Janeiro a viver, com empenho, a Festa de São Sebastião para que imitando o seu exemplo, confessemos e testemunhemos a fé católica na nossa cidade, que nasceu, cresceu e hoje vive sob a constante proteção de São Sebastião, que sempre nos aponta para o Cristo Redentor, caminho, verdade e vida!”
Rio de Janeiro, 17 de Janeiro de 2012.
Fr. Sebastian Olalla del Rio













