Santo Agostinho
UMA DATA: No dia 13 de Novembro de 354, nasce Augustinus Aurelius.
UMA TERRA: Tagaste (Hoje uma cidade de Argélia chamada Souk-Ahras), pequena cidade de Numídia, no Norte África. Nesta época, a região estava dominada pela cultura romana e um ambiente pagão. A cidade mais importante era Cartago. Quando nasce Agostinho, o cristianismo era já a religião oficial, porém florescem muitas seitas, diversas doutrinas e escolas filosóficas.
PAIS: Patrício, por um lado, extremamente carinhoso e, por outro, de gênio violento. Era pagão, sua esposa lhe conquistará para Cristo, recebendo, mais tarde, o batismo. Mônica, educada desde a infância na fé cristã. Profundamente piedosa e mulher de grande fé em Cristo, com uma vida de oração e caridade.
“Todos os que a conheciam louvavam, honravam e amavam profundamente a ti, por nela sentirem a tua presença, comprovada pelos frutos de uma vida santa. Tinha sido esposa de um só marido, tinha cumprido seu dever para com os pais, tinha governado a casa com dedicação e dado o testemunho das boas obras. Educara os filhos, gerando-os de novo tantas vezes quanta os visse afastaram-se de ti”. (Conf. 9,22)
UM FILHO DE TANTAS LAGRIMAS não pode se perder. Foi o consolo que recebeu Mônica de parte de Deus e do bispo Ambrósio quando, sumida quase no desespero, intercede pelo seu filho ante o bispo. Agostinho é o Filho de Mônica: “Ela me gerou para Cristo”. A fé, as orações e as lágrimas de Mônica levaram Agostinho para Cristo.
“Minha mãe, tua serva fiel, chorava por minha causa diante de Ti, mais do que as mães choram pela morte de seus filhos” (Conf.)
UM CORAÇÃO INQUIETO, temperamento apaixonado, alegre, amigo dos amigos, jovem brilhante nos estudos. Agostinho procura incansavelmente a verdade, sobretudo a partir de leitura do livro de Cícero, O Hortênsio. Bom estudante, amigo dos jogos, da festa, do teatro, da literatura, de todo tipo de doutrina. Nessa busca da verdade, lê a Sagrada Escritura que a acha simples e indigna para seu saber; passa pela experiência do maniqueísmo e até cai no ceticismo. A vida com seus atrativos lhe esconde a verdade que ele procura até que um dia a encontra em Cristo e na sua Igreja por quem também se apaixonará pelo resto de sua vida.
“Devo dizer que ele (Hortênsio) mudou meus sentimentos e o modo de me dirigir a ti; ele transformou as minhas aspirações e desejos. Repentinamente pareceram-me desprezíveis todas as vãs esperanças. Eu passei a aspirar com todas as forças à imortalidade que vem da sabedoria. Começava a levantar-me para voltar a ti.”(Conf. 3,7)
UM CORAÇÃO AMIGO fácil para criar amizade, apaixonar-se por uma mulher de quem terá um filho, Adeodato; e para conquistar amigos. Isto facilitará, se apaixonar pela vida comum, a vida monástica e contemplativa e que inspirará, mais tarde, a vida religiosa agostiniana na África e na Europa.
“A luxúria quer ser chamada de saciedade e abundância; mas, só Tu, Senhor, és a plenitude, Tu és a fonte da suavidade inexaurível e incorruptível”. (Conf. 2,13)
UM JOVEM INTELIGENTE: Gosta de estudar e, nas diferentes etapas de sua vida, ocupa o primeiro lugar na aula. Brilhante professor de retórica em Cartago, Roma e Milão onde acontecerá a sua conversão.
“Era o primeiro na aula de retórica. Cheio de alegria me orgulhava e inchava de vaidade” (Conf)
UM CORAÇÃO CONVERTIDO (386) Agostinho confessa que “o nome de Cristo o havia mamado piedosamente com o leite de sua mãe, e o tinha profundamente gravado” (Conf 3,8). Porém foi um longo caminho a percorrer se jogando em seus caprichos, sensualidades, festas, nas mais diversas doutrinas até que um dia descobre que a Verdade está em Cristo, dentro de seu coração, na Escritura, na Igreja. E o coração de Agostinho encontra sossego, paz, porém não descansará até descansar em Deus na paz do sábado aos 28 de agosto de 430.
“Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora!” (Conf. X,37,38)
SACERDOTE E BISPO: (391 e 397) A conversão de Agostinho é para Cristo e para a Igreja, ajudado pelo exemplo de outros convertidos e sobretudo pelo exemplo dos monges e eremitas de Egito. Seu ideal e projeto são viver em comunidade de amigos, estudando a Escritura, rezando, louvando ao Senhor e trabalhando. Projeto que já começa em Milão e depois organiza em Tagaste. Foi numa visita a Hipona, precisamente, para conversar com um amigo sobre o projeto de vida monástica, que, assistindo a celebração litúrgica na catedral de Hipona, o bispo Valério, já ancião, pede a ajuda de um sacerdote e o povo aclama: “queremos Agostinho como sacerdote, Agostinho sacerdote”. Agostinho chora, porém escuta o chamado da Igreja. Mais tarde, será bispo de Hipona e autentico líder da Igreja do norte da África, presidindo assembléias, concílios, escrevendo cartas, livros, tratados doutrinais, encontros com líderes de outras seitas e igrejas como donatistas, maniqueus, pelagianos, etc.
MONGE E PASTOR: Agostinho sacerdote quer viver em comunidade de irmãos e amigos e solicita ao bispo Valério sua permissão para construir um mosteiro num terreno da Igreja. A comunidade de frades é descanso para suas fadigas, apoio em suas atividades pastorais, força na oração e amizade, presença de Deus compartilhada e desfrutada. Este mosteiro alcançou grande fama por ser o berço de sábios e competentes bispos para toda a igreja do Norte da África durante a vida de Agostinho, quarenta anos de autentico líder desta igreja.
ESCRITOR: Agostinho escreve sua primeira obra: “De pulcro et apto”, tratado de estética (que se perdeu) aos 16 anos. Depois de convertido, escreverá um sem fim de obras filosóficas, teológicas, bíblicas, pastorais, a regra para os mosteiros de monges e freiras, cartas, sermões, etc. A destacar: Confissões, Cidade de Deus, “De Trinitate”, De Doutrina Cristã, Catecismo para os Catecúmenos, etc…
FUNDADOR: Santo Agostinho, mais que fundador, é o grande inspirador da vida religiosa do ocidente da Igreja Católica, pelos monges do norte da África, com quem partilhou sua vida comunitária em Tagaste –mosteiro de leigos- e como bispo em Hipona -mosteiro de sacerdotes-, pela sua Regra adaptada por muitas ordens e congregações religiosas e pelos seus escritos sobre vida religiosa, assim como em cartas e sermões. A Família Agostiniana: Agostinianos, Recoletos, Descalços, Agostinianos da Assunção, Agostinianas, Missionárias Agostinianas Recoletas, etc, o temos como Nosso Pai e Fundador. Somente no Brasil a Federação de Agostiniana Brasileira (FABRA) é composta por mais de 15 famílias religiosas diferentes sem contar as múltiplas associações de leigos e leigas, Comunidades de mães santa Mônica, Juventudes Agostinianas Recoletas (JAR), etc.
“O motivo primordial pelo qual vos haveis congregado em comunidade é para que vivais em comunhão, tendo uma só alma e um só coração orientados para Deus”(Regra 1)
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