O Tempo Comum
O Ano Litúrgico é composto por dois ciclos: o ciclo do Natal e o ciclo da Páscoa. Entre esses dois ciclos há semanas que constituem o Tempo Comum. Mas podemos nos perguntar: para que o Tempo Comum?
O objetivo próprio do Tempo Comum é despertar-nos para vivermos a Graça recebida no Tempo Festivo anterior. Por isso, a cor litúrgica é o Verde, que simboliza a Esperança de ver crescer em nós o Amor de Deus, que nos santifica e nos faz mais conformes ao Senhor Jesus, nosso Caminho, Verdade e Vida! (Jo 14, 6)
E como se divide o Tempo Comum? O Tempo Comum é dividido em dois períodos:
- o primeiro, menor, começa na segunda-feira seguinte à Solenidade do Batismo do Senhor e termina na terça-feira, véspera da Quarta-feira de Cinzas.
- o segundo, maior, se inicia na segunda-feira seguinte à Solenidade de Pentecostes e termina no sábado, véspera do 1o Domingo do Advento.
Durante o Tempo Comum também são celebradas solenidades que nos ajudam a aprofundarmo-nos mais em mais nos Mistérios de Deus. São elas:
Santíssima Trindade
A solenidade da Santíssima Trindade é celebrada no domingo após Pentecostes. Apesar de todos os domingos do ano serem uma “festa da Santíssima Trindade”, o Papa João XXII (1316-1334) considerou que esta solenidade seria uma solenidade destinada de modo especial a manifestar nossa gratidão e nossa adoração à Trindade Santíssima, presente no mais íntimo de nosso ser pela Graça.
Ao examinarmos os textos da Liturgia das Horas e da Santa Missa para a Solenidade da Santíssima Trindade, sentimos nossa alma como que prostrada ante a Majestade do Senhor Deus, que O situa tão longe de nós, e a maravilha do Seu Amor, que O faz habitar tão perto, tão íntimo do nosso coração por Sua Graça!
Diante deste Mistério inefável da Trindade de Amor e de Sua habitação na alma do justo, em verdade, nada mais podemos fazer do que adorar amando o Deus de Amor.
O Corpo e o Sangue de Cristo
“O Pão que Eu darei é a Minha Carne para a Vida do mundo!“
(Jo 6, 51)
Na quinta-feira seguinte ao Domingo da Santíssima Trindade, a Liturgia prescreve a Solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo, chamada também de Festa de Corpus Christi. Essa festa é, por assim dizer, uma continuidade da Quinta-feira santa, noite em que comemoramos a instituição da Sagrada Eucaristia, mas não como desejaríamos, pois logo somos convidados a meditar na Paixão do Senhor, permanecendo com Cristo Jesus no Horto das Oliveiras até o Calvário e a expectativa da Ressurreição gloriosa, em Vigília de Oração.
A Festa de Corpus Christi teve sua origem em 1247, na Diocese de Liége, devido às visões da monja agostiniana Juliana de Cornillon. Em 1264, o Papa Urbano IV, que fora confessor de Juliana prescreveu que fosse celebrada a Festa do Corpo de Cristo em toda a Igreja Católica. No Missal Romano de 1570, a Festa foi denominada “Festa do Santíssimo Corpo do Senhor” (Corpus Domini). Na ordenação litúrgica após o Vaticano II, a Festa passou a ser chamada Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, dando-nos assim, uma visão integral da Sagrada Eucaristia que é, de fato, o Sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo sob as aparências de pão e de vinho.
A Festa do Sagrado Coração de Jesus
Ao 20 de outubro de 1672, na Diocese de Rennes, o Padre oratoriano João Eudes, hoje, São João Eudes, celebrou pela primeira vez, a Missa em honra ao Sagradao Coração. Rapidamente se difundiu, surgindo vários textos para a celebração da Santa Missa. Em 1675, Jesus apareceu a uma Religiosa do Mosteiro da Visitação, Margarida Maria Alacoque, e, mostrando-lhe o Seu Sagrado Coração, disse-lhe: “Eis o Coração que tanto ama os homens, mas deles só recebe ofensas e ingratidão!“
Em 1856, Pio IX aprovou novo texto para a Missa em honra ao Coração de Jesus e colocou a Festa no Calendário Litúrgico para toda a Igreja, fixando-a na terceira sexta-feira depois de Pentecostes. Em 1929, o Papa Pio XI fez novo texto para o Ofício Divino e para a Missa, este conhecido por “Cogitationes”. O tema predominante nos diferentes formulários é o Amor de Deus revelado e doado em e por Cristo Jesus. Há assim, duas formas de devoção ao Sagrado Coração de Jesus:
- Ação de Graças pela riqueza insondável do Amor de Jesus por nós. “Amai, amai agradecidos!” pedia São João Eudes
- Contemplação amorosa e compassiva do Coração Sagrado transpassado por nossas ofensas e nossa ingratidão. “Amai, amai, reparando as ofensas ao Coração Sagrado!” suplicava Santa Margarida Maria.
PASCOM
Paróquia Sto Agostinho RJ
Texto: trechos de escritos da Profa Herenice Auler organizados por Luciana Graff.













