Frei Juan Manuel
Homilia de Frei Sebastián na missa de 7o dia pela alma de Frei João
Queridos irmãos no sacerdócio, queridos paroquianos, corpo docente do Colégio Santo Agostinho, amigos, família de Fr. Juan Manuel.
DAMOS GRAÇAS A DEUS PELO VIDA DE FR. JUAN MANUEL PEREZ MELCON E HOJE -7º Dia- PELO COMEÇO DA VIDA EM PLENITUDE, DA VIDA ETERNA, ONDE ACREDITAMOS QUE DESCANSA EM PAZ, A PAZ DO SÁBADO, A PAZ SEM OCASO QUE ESCREVIA SANTO AGOSTINHO NAS CONFISSÕES.
“ O sétimo dia, porem não tem tarde nem repouso, porque o santificaste para permanecer eternamente. Aquele descanso, com que repousaste no sétimo dia depois de tantas obras muito boas –que realizaste sem cansaço- é o anúncio que nos vem pela palavra da tua Escritura: também nós, descansaremos em ti, no sábado da vida eterna, depois dos nossos trabalhos, que são bons porque os concedeste a nós” . (Confissões (XIII, 35,50)
UMA VOCAÇÃO
Fr. João nasceu na cidade de LA UTRERA na Província de León (Espanha), Filho de Paulino e Ascensión. Desde muito jovem sentiu o chamado do Senhor para a vida religiosa e sacerdotal e iniciou seu estudos no Seminário de Santa Rita de Cássia de San Sebastián, cidade marítima e de praia, a pequena cidade de Rio de Janeiro pela semelhança geográfica de ambas as cidades. Eram tempos da “post” – guerra civil espanhola que, ele criança, viveu na própria terra natal e, adolescente no seminário, sofrendo muitas necessidades. Frei João nos contava que chegou um momento em que os freis agostinianos recoletos não tendo condições para alimentar aos seminaristas tiveram que enviá-los a outro seminário da mesma Ordem. Os desígnios de Deus e a vocação de Fr. Juan Manuel fizeram com que ele seguisse os passos do mestre. Pela década dos anos quarenta, estudou filosofia e teologia no convento de nossa Senhora do Bom Conselho de Monachil, Granada e nessa mesma cidade se ordenou sacerdote em 29 de Junho de 1951, chegando a celebrar gozoso com toda a família agostiniana recoleta e paroquial os sessenta anos de sacerdote.
UM DESTINO, UM PAIS: BRASIL
No mesmo ano da sua ordenação sacerdotal (1951) foi destinado ao Brasil, mas concretamente, a missão da Prelazia de Marajó na paróquia de Salvaterra, uma pequena cidade do Pará, naquele tempo com poucas casas. Hoje é uma cidade de fim de semana de Belém, cidade vizinha da sede do Prelado. Lá partilhou um ano de missionário com seu conterrâneo e amigo Fr. Alquílio Alvarez , posteriormente eleito bispo e sobre o qual o mesmo Fr. João escreveu e editou um livro chamado o “O Missionário” dedicado especialmente ao 2º bispo da Prelazia de Marajó.
No ano de 1952 foi destinado a Belém do Pará onde combinou seu ministério sacerdotal na igreja de São João com os estudos próprios para poder exercer o magistério. Ele deu aulas em vários colégios de Belém do Pará. Neste período o Colégio Santo Agostinho do Leblon (1946) já estava próximo de cumprir 10 anos de existência e os superiores acharam que Fr. Juan Manuel poderia fazer parte do corpo docente de religiosos agostinianos recoletos que estavam dando os primeiros passos desse colégio. Em Rio de Janeiro seguiu os seus estudos pedagógicos e de administração educacional. E já foi neste colégio e paróquia de Santa Mônica e no colégio e paróquia Santo Agostinho que nosso frei viveu a vocação religiosa e sacerdotal como um verdadeiro professor, administrador, secretário e diretor e se consagrou como um mestre e professor por natureza e sabedoria.
O RELIGIOSO E SACERDOTE EDUCADOR
Fr. João foi sempre um apaixonado pelo Colégio Santo Agostinho. A educação de crianças e jovens foi seu sacerdócio no sentido pleno da palavra: como profissional da educação e missão sacerdotal de um frade e padre agostiniano recoleto.
A presença de Fr. João, nos seus anos aqui em Novo Leblon, foi decisiva no crescimento e desenvolvimento do colégio e paróquia de Santo Agostinho. Foi o primeiro prior da comunidade OAR que se instalou aqui no ano 1994. A partir deste ano, por meio de sua caneta, é que o arquivo da comunidade agostiniana recoleta, começa a escrever a sua própria história na missão paroquial e educacional.
Foi aqui também que a sua saúde ficou muito comprometida por um câncer no intestino e várias outras doenças que, com a graça de Deus e os cuidados do próprio Frei João que levava a risca as orientações médicas e colocava a sua enfermidade nas mãos de Deus e na proteção de Nossa Senhora da Consolação e no santo agostiniano recoleto Ezequiel Moreno.
FR JUAN MANUEL – HOMEM FORTE
Quando falamos de Fr. João, principalmente quando comentávamos a sua enfermidade, uma das expressões que saia da nossa boca era: Fr. João é forte. Com motivo de seu aniversário de 80 anos falei para ele: Fr. João, você está entre os fortes de que fala o salmo 89: “Pode durar setenta anos nossa vida, os mais fortes talvez cheguem a oitenta, a maior parte é ilusão e sofrimento: passam depressa e também nós assim passamos…Enisnai-nos a contar nosso, e dai a nosso coração sabedoria” (Salmo 89, 10:11) Certamente um homem forte mesmo: Na vida de cada dia, na vida de trabalho, da missão, na hora dos sofrimento.
Ele foi forte mesmo: fazendo uma vida normal após a manifestação do câncer e posterior cirurgia e tratamento e até, faz apenas 21 dias que ingressou no Hospital Barra Dor com uma pneumonia junto com câncer já manifestado no ano de 2006 e combatido por uma excelente cirurgia e um clube de orações….mesmo que seguiu forte e lutador chegou o memento em que o Senhor lhe chamou para estar com ele hoje no céu.
Frei João se expressou assim em sua missa de 60 anos sacerdotais: “Quando fui operado por um médico que acho que nem é católico, ele me disse: “Você tem um clube muito forte.” Eu disse: “Doutor, um clube? Eu não tenho clube nenhum! Sou religioso.” E ele respondeu: “Não, não falo disso. Você tem um clube religioso de oração, porque somente por isso que você sobreviveu. Não tinha condições físicas. ” Mas eu sei que esta união, este clube de oração, tem conseguido que Deus me dê a força, a saúde. Hoje continuamos irmãos. 60 anos de sacerdócio, só posso louvar e agradecer aos meus irmãos do sacerdócio que me acompanham e digo a vocês que todos eles se preocupam muito comigo e não são somente como irmãos, são como um pai, como uma mãe. E é muito importante e traz paz sentir esse amor. É muito importante. E o mesmo digo da comunidade (se referindo ao povo assistente). A vocês só posso agradecer, reconhecer, louvar a Deus e pedir a vocês que continuem a se unir espiritualmente para agradecer a Deus e pedir que Deus me dê forças para que eu possa cumprir a missão que Ele realmente me confiou. Ele me chamou do anonimato, da ignorância, da incapacidade e me deu forças e me constituiu seu ministro e para mim fica apenas essa interrogação: “Estou cumprindo bem a minha missão? Estou correspondendo a Deus? Só vocês podem me ajudar. Muito obrigado a vocês. 18 anos que vamos juntos e continuaremos até quando o Senhor quiser. Muito obrigado”.
Bendigamos ao Senhor por este homem forte, delicado e sensível com as plantas e animais, sábio nas artes da educação, pedagogia e psicologia da juventude e administração dos assuntos da educação.
HOMEM DO DEVER CUMPRIDO COM DISCIPLINA E ENTREGA.
A Disciplina pessoal e comunitária como membro da comunidade religiosa agostiniana na paróquia e no colégio. A pontualidade e presença na entrada dos professores e alunos no colégio e na missa da manhã das 7h30min. Era mais que pontualidade, era presença certa, viva e marcante…O relógio para Fr. João era mais que um toque de pontualidade, era sinal de uma vida entregue, responsável e dinâmica. Era um jeito de vida fundamentada no Senhor e ao serviço do povo de Deus. Um detalhe que marcou a sua vida e a de muitas pessoas que com ele trabalhavam e conviviam. A presença de Fr. João na capela da comunidade na hora certa, na sala da TV para a recreação, para a assistir o jogo de futebol, a novela ou para a reunião comunitária sempre se adiantava a todos nós. Fr. João era exemplo de uma vida bem agostiniana e da qual falam as nossas Constiuições: “Entre os membros da comunidade reina uma amistosa convivência em Cristo: todos os irmãos fomentam em diálogo franco e mútua confiança, socorrem os doentes, consolam os desanimados, alegram-se sinceramente com as qualidades dos outros e com seus triunfos como se fossem próprios; ajudam-se e completam-se, unem seus esforços no trabalho comum e cada um se encontra na entrega sincera aos outros” (Const. OAR nº18)
Fr. JM foi o sacerdote sempre disponível para o que for necessário. De muitos tenho escutado a importância da sua palavra orientadora e comprometida das suas homilias e conselhos espirituais.
Fr. JM um religioso sacerdote agostiniano recoleto iluminado e comprometido por tudo que fazia referência a Santo Agostinho e a Ordem e seus santos, por tudo aquilo que fazia referência tanto ao nosso Pai Santo Agostinho e Fundador como a Ordem dos Agostinianos Recoletos. Neste ano dos 80 anos do Cristo Redentor faz também os 80 anos dos Recoletos no Leblon. No último dia de Retiro foi a ele que encomendamos a preparação do Encontro Fraterno do dia da Recoleção Agostiniana, aos 5 de Dezembro de 2011. Ele agora passou a estar entre tantos muitos outros freis Recoletos que do céu intercedem por nós e nos apóiam nesta terra bendita do Cristo Redentor.
Fr. João amigo da historia de seu irmão, conterrâneo e colega na missão Dom Alquílio Alvarez, 2º Prelado da Prelazia de Marajó.
Um frei que teve em Santo Ezequiel Moreno, um modelo e um poderoso protetor na sua enfermidade. Por tudo isso Frei João implantou nesta igreja de santo Agostinho com especial empenho e fervor a devoção a Sto Ezequiel. Santo Ezequiel era o patrono desse Clube que tinha Fr. João aqui no Novo Leblon
Fr. Juan Manuel, irmão, colega e amigo. Difícil fica para nós sem esta presença sábia, amiga, animadora, silenciosa às vezes, mas que sempre animava, comprometia e nos fazia crescer.
Foi sepultado no cemitério de São João Batista onde repousam os restos de tantos confrades agostinianos recoletos que partilharam esta vida terrena com ele e lhe precederam na morte e agora juntos esperam a ressurreição.
Descanse em paz e que Deus lhe conceda o prêmio que tem reservado a seus servos fiéis e prudentes.
Ele recebeu o nome de Juan (o Senhor é misericordioso) e Manuel (Deus conosco) com a graça do Batismo, receba agora de forma plena a misericórdia de Deus e a eterna companhia com O Pai da Misericórdia, a Mãe da Consolação e todos os santos. Amém
Frase de Santo Agostinho e Canto na oração final e como responsório
“Senhor Deus, concede-nos a paz, tu que tudo nos deste. Concede-nos a paz do repouso, a paz do sábado, uma paz sem ocaso. Essa belíssima ordem de coisas “muito boas”, uma vez cumprido o seu papel, toda ela passará; porque terão tido uma amanhecer e uma tarde”. ( Santo Agostinho: Conf XII, 36,51)
“ACUERDATE DE JESUCRISTO RESUCITADO DENTRE LOS MUERTOS,
EL ES NUESTRA SALVACIÓN, NUESTRA GLORIA PARA SIEMPRE”.
Si com El morimos, viviremos com El,
Si com el sufrimos, reinaremos com El.
“ACUERDATE DE JESUCRISTO RESUCITADO DENTRE LOS MUERTOS,
EL ES NUESTRA SALVACIÓN, NUESTRA GLORIA PARA SIEMPRE”.
Artigo de Frei Sebastián comunicando o falecimento de Frei João no jornal O Testemunho de Fé
Pe Fr. JUAN MANUEL PEREZ MELCON, OAR
O religioso e sacerdote agostiniano recoleto faleceu aos 30 de Julho de 2011 no Hospital Barra Dor como conseqüência de câncer do intestino com metástase pulmonar.
Fr. Juan Manuel nasceu em León (Espanha) aos 09 de Janeiro de 1928. Professou como religioso agostiniano recoleto no dia 14 de outubro de 1947 e foi ordenado sacerdote aos 29 de Junho de 1951. No passado 29 de Junho, Solenidade de São Pedro e São Paulo, Fr. Juan Manuel celebrou a missa de ação de graças pelos 60 anos de sacerdote com a feliz coincidência de ter sido ordenado na mesma data que o Papa Bento XVI. Foi uma festa muito entranhável com a missa concelebrada com os seus confrades e a presença de muitos paroquianos. Foi também aqui em Novo Leblon que celebrou suas bodas de ouro sacerdotais faz agora 10 anos. A vida religiosa e sacerdotal de Fr. Juan Manuel se desenvolveu, desde o ano de ordenação até nossos dias, no Brasil: Belém do Pará, Salvaterra da Prelazia de Marajó (1951 -1959) e sobre tudo no Rio de Janeiro (1959-2011) onde finalizou seus estudos de Pedagogia e Psicologia e onde combinou seu sacerdócio ministerial na paróquia de Santa Mônica e seu sacerdócio educacional no Colégio de Santo Agostinho de Leblon como professor, secretário e diretor. Desde o ano de 1994 seguiu a mesma vida no Colégio e Paróquia de Santo Agostinho no Novo Leblon (1994-2011). De origem espanhola, foi um apaixonado pela cidade de Rio de Janeiro, pela educação e ministério sacerdotal, até mesmo com um câncer no intestino que se manifestou com muita força no ano de 2006. Mesmo com a enfermidade e fortes dores, ele não deixou de seguir este ministério com a pontualidade, dedicação, presença e responsabilidade que lhe caracterizava até o dia em que o Senhor lhe chamou para participar na vida eterna. Na manhã de Domingo, dia 31, seu corpo foi velado no auditório do Colégio Santo Agostinho. Após a cada missa dominical o povo rezou com os freis agostinianos recoletos diante de seu corpo mortal e às 15h00min celebrou-se a missa de corpo presente no templo paroquial do Colégio e Paróquia de Santo Agostinho. Foi sepultado no cemitério de São João Batista onde repousam os restos de tantos confrades agostinianos recoletos que partilharam esta vida terrena com ele e lhe precederam na morte e agora juntos esperam a ressurreição. Ele recebeu o nome de Juan (o Senhor é misericordioso) e Manuel (Deus conosco) com a graça do Batismo e receba agora de forma plena a misericórdia de Deus e a Sua eterna companhia. Amém
Fr. Sebastián Olalla del Río, OAR













