A Graça de Ser Casto
Irmãos, na primeira vez em que eu ouvi falar de castidade, tive um acesso de riso e raiva, sentimentos tão antagônicos, mas que expressavam com exatidão aquilo que eu sentia naquele momento.
Eu não sabia se eu ria ou se eu chorava. Não sabia se eu ria da impossibilidade e do absurdo daquilo que me falavam ou se eu chorava pelo fato de existirem pessoas tão “atrasadas” no tempo e “presas” ao passado e a um conjunto de normas opressoras que contrariavam a natureza humana.
Eu nada sabia e nada entendia. Eu ainda não tinha deixado Jesus entrar verdadeiramente em meu coração, mesmo diante de todas as Suas tentativas (“Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo – Ap 3, 20).
Lembro como se fosse hoje, o primeiro dia em que eu aceitei, de verdade, um convite de Jesus na minha vida. Meu irmão e minha mãe haviam me convidado para ir à Canção Nova, no retiro de Pentecostes. Mal sabia eu que aquele Pedro que eu conhecia jamais seria o mesmo.
Aquela semana não tinha sido fácil para mim, principalmente no que diz respeito a minha castidade. Depois de sofrer a pesadas tentações, como havia sido ao longo de toda a minha vida nesse assunto, eu havia pecado, sucumbindo ao mal e a minha fraqueza humana. Eu me sentia afastado de Deus, como se não fosse digno do Seu amor.
Só que naquele dia foi diferente. Até o pecado foi diferente. Jesus já estava preparando o meu coração para fazer nele a sua morada eterna. Eu me lembro que naquele momento nem a satisfação momentânea e efêmera do pecado eu havia sentido. Havia uma foto de Jesus em um local próximo e o meu olhar imediatamente se dirigiu diretamente para Ele.
Depois de Lhe suplicar a cura e o perdão dos meus pecados, afirmando que não queria mais levar aquela vida (se é que pode se chamar aquilo de vida), eu pedi ardentemente uma Vida Nova. Meus Amados Irmãos, a minha vida nunca mais foi a mesma, com a Graça de Deus e do Nosso Senhor Jesus Cristo.
No dia da viagem, eu já estava diferente. Logo que eu me encontrei com os abençoados do Teruah (pessoas felizes e animadas que na época eu conhecia apenas superficialmente) eu já sentia que algo havia mudado em mim. Já sentia a presença de Jesus forte em meu coração, como nunca antes acontecera. Senti que aquele era o meu lugar, com aquelas pessoas e Aquele Deus.
Pode parecer clichê e um pouco piegas, mas realmente é impossível descrever com palavras apenas o que foi aquele final de semana. Jamais me esquecerei daquele retiro. O que eu posso dizer a vocês, basicamente, é que eu repousei umas 38 vezes, voltei orando em línguas como um narrador de corridas de cavalos e, principalmente, amando a castidade com todas as minhas forças e de todo o meu coração.
Eu sentia muito forte no meu coração (como, aliás, sinto até hoje) que era justamente na minha castidade que o Inimigo de Deus e a minha fraqueza humana mais me faziam pecar. Assim, eu tomei a decisão de pedir a Jesus, todos os dias da minha vida, para me conservar santo e casto.
Lembram que eu falei no início que, depois daquela súplica a Jesus na semana da minha viagem à Canção Nova, minha vida nunca mais tinha sido a mesma? Talvez eu tenha me expressado mal, fazendo parecer que foi fácil. Mesmo porque eu ainda estou no começo da minha caminhada com Jesus, sendo quase um recém-nascido.
Não foi nada fácil, meus Irmãos. A batalha é diária, eu diria até momentânea. Devemos a cada momento, a cada segundo de nossas vidas, dizer “Não” ao pecado e dizer “Sim” a Deus, reafirmando o compromisso da nossa santidade e da nossa castidade.
Eu era muito ingênuo no início da minha conversão. Como todos nós, aliás. Lembro que quando voltei da Canção Nova, eu imaginei que eu voltaria como o “Super Pedro”, o Casto, cheio do Espírito Santo e insuscetível a qualquer mal. Ledo engano.
Esse estado de plena Graça até existe. Não me entendam mal. Mas o que fazer naqueles dias (meses, anos) em que passamos sem sentir a presença de Jesus como antes? Naqueles períodos, como dizia Santo Inácio, em que a desolação reina em nossas vidas? O que fazer?
São nesses momentos que nós depositamos toda a nossa fé em Deus e decidimos, por Suas Bênçãos e Graças, não pecar. Conservar a nossa santidade e nos manter castos e santos, com nosso olhar sempre voltado para Jesus.
Amados, a castidade não é, em essência, um sentimento. Pode até ser em alguns momentos. Mas, como todas as virtudes verdadeiramente cristãs, a castidade é uma decisão. Uma decisão diária, reiterada em cada minuto de nossas vidas.
A castidade é uma Bênção, uma Graça de Deus inigualável em nossas vidas. A castidade é a expressão perfeita de Jesus em nós, porque ela nos liberta (“e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” – Jo 8, 32), permitindo que sejamos, de fato, filhos de Deus.
Ao contrário de nos aprisionar, como eu imaginava no princípio, a castidade nos liberta e nos liberta naquilo que temos de mais precioso. Liberta o nosso corpo, que é templo do Espírito Santo. Liberta a nossa alma. A castidade permite que nós vivamos e experimentemos o sagrado na nossa sexualidade e na nossa afetividade.
E para aqueles que pensam que a castidade possui limites e prazo de validade, eu faço um alerta. A castidade é completa e eterna. A castidade é vivida nos pequenos detalhes. Ficar sem consumar o ato sexual talvez seja a tarefa mais “fácil” quando desejamos viver a castidade. Devemos mudar o nosso olhar, treinar os nossos desejos e a nossa vontade. Enxergar no outro(a), um Filho(a) de Deus, que também é templo do Espírito Santo. Somente a Graça de Deus nos permite voar tão alto.
Além disso, a castidade não acaba com o matrimônio, como muitos podem pensar (eu também já pensei isso um dia). Pelo contrário, é justamente no matrimônio que a castidade é vivida e experimentada de maneira plena, em completa comunhão com Jesus. O matrimônio foi feito para a castidade e a castidade foi feita para o matrimônio.
Portanto, meus Irmãos, vivam a castidade, amem a castidade. Para aqueles que namoram, vivam a castidade e a santidade nos seus relacionamentos. O namoro nada mais é que um lindo ensaio para o matrimônio futuro.
É tempo de descoberta, tempo de experiência e vivência do Amor de Jesus na pessoa amada. O namoro (e o matrimônio também) é meio de levarmos aquela pessoa que amamos para Jesus, para o Reino de Deus. O namoro consiste justamente em despertar a santidade e a castidade do outro, sempre com o olhar voltado para Deus. Não há nada melhor que viver um namoro santo. Eu digo por experiência própria. Podem acreditar.
Para aqueles que ainda estão solteiros, mas que sentem em seus corações que o matrimônio é a sua vocação vivam e experimentem a castidade, sem pressa. Aproveitem esse tempo “sozinhos” (com Jesus) para se aproximarem dEle, ganhando santidade e experiência de Jesus em suas vidas.
Já aqueles que sentem que Jesus lhes reserva uma vocação religiosa, acho que eu nem preciso dizer o quão importante é a vivência verdadeira da castidade em suas vidas. Só faço uma pequena ressalva.
Não pensem que, por viverem o celibato, vocês não possuem e vivem a sua sexualidade e a sua afetividade. Também é um erro pensar assim. A única diferença é que a sexualidade de vocês é inteiramente consagrada a Jesus, desde a vida terrena. O que vocês fazem (de acordo com o chamado que lhes foi dado) nada mais é do que antecipar o que todos nós faremos, se nos for permitido, futuramente no Reino dos Céus, isto é, viver para Deus em comunhão plena e irrestrita com Ele, inclusive na nossa sexualidade.
Por fim, apenas exorto aqueles que vivem o matrimônio, esse divino sacramento, o maior responsável pela verdadeira formação de novos cristãos e pela difusão do cristianismo pelo mundo, que vivam a castidade nos seus casamentos e nos seus lares. Não há nada mais lindo do que uma família cristã, que cultiva o Amor e a Santidade em seu seio. Lembrem-se que o matrimônio constitui apenas o início e o aperfeiçoamento da experiência da castidade em nossas vidas.
Peço perdão se falei demais, mas é que esse assunto me causa um fascínio e uma obstinação indescritíveis. Somente rogo, meus irmãos, que vocês nunca se esqueçam que é impossível viver a castidade sem a Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, materializada em Seu Espírito Santo, enviado pelo Pai para nos purificar e santificar.
Procurem observar e estudar também a vida dos santos e das santas da nossa Igreja. São exemplos maravilhosos de vidas dedicadas a Deus e que são muito importantes para nossa caminhada com Jesus. Não posso me esquecer também do enorme auxílio exercido por Nossa Mãe Maria, exemplo humano maior de virtude e castidade. Cultivem seu relacionamento com Nossa Senhora. Ela é uma intercessora inigualável e advogada sem igual (“Tudo por Jesus, nada sem Maria”), representando uma grande aliada na busca da vivência da castidade.
Fiquem com Deus e com a Paz de Jesus, meus Amados e Lindos Irmãos, e que a Castidade seja Virtude e Graça sempre presente em suas vidas. Eu amo muito todos vocês.
PS: Jesus ama infinitamente mais.
Beijos
Pedro













